Embora o patronato em geral seja hostil à redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a experiência revela que contemplar este anseio secular da classe trabalhadora traz lucros para as empresas e a economia considerada em seu conjunto. 

Trabalhar quatro dias por semana, sem redução salarial, não apenas melhora a saúde física e mental dos funcionários, mas também eleva o desempenho no trabalho e beneficia as empresas. É o que confirma um estudo publicado segunda-feira (21) na revista Nature Human Behaviour, baseado em uma amostra de 2.896 trabalhadores de 141 empresas em seis países.

A pesquisa, realizada pelas universidades de Boston e University College Dublin, avaliou os efeitos de diferentes reduções na jornada semanal — de 1 a 8 horas ou mais — e os comparou com um grupo de controle que manteve a semana de trabalho tradicional.

Resultados claros: mais descanso, melhor desempenho. Aqueles que adotaram a jornada de quatro dias de trabalho (uma redução igual ou maior que oito horas semanais) relataram:

Menor exaustão e fadiga acumulada

Melhor saúde mental e física

Maior satisfação no trabalho

Melhora notável na qualidade do sono

Mesmo aqueles que reduziram sua jornada em menor medida (de 1 a 7 horas) experimentaram benefícios semelhantes, embora de menor intensidade.

Além das pesquisas realizadas durante seis meses, os pesquisadores analisaram dados relacionados à produtividade e ao clima organizacional. O resultado foi inequívoco: trabalhar menos horas, mas com o mesmo salário, não apenas não prejudica as empresas, como pode torná-las mais eficientes.

Uma tendência global em expansão

O estudo faz parte de uma onda crescente de experimentos laborais, como os impulsionados pela iniciativa 4 Day Week Global, que coordenou projetos-piloto em mais de 375 empresas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde os resultados observados até o momento são positivos. Esses testes têm avaliado se é possível conciliar saúde, bem-estar e desempenho econômico em esquemas de trabalho mais curtos.

Na América Latina, onde as jornadas de trabalho extensas ainda são a norma, as evidências coletadas por esse tipo de pesquisa podem alimentar o debate sobre reformas trabalhistas modernas que atendam tanto às necessidades dos trabalhadores quanto às exigências do mercado. Países como Chile, México ou Colômbia começaram a discutir legislações para reduzir progressivamente as horas de trabalho, embora ainda estejam longe de generalizar a semana de quatro dias.

Com informações da EFE e Portal de Montevidéu