Estudo realizado recentemente por pesquisadoras e economistas do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp indica que o fim da escala 6x1 e a consequente redução da jornada de trabalho podem gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil.
 
A possibilidade, em linha com o que geralmente ocorre após a redução da jornada de trabalho, contrapõe-se ao argumento patronal de que a medida irá provocar um caos social, com fechamento de empresas e demissões em massa.
 
O estudo, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) do IBGE, assevera que a reorganização da jornada de trabalho, frequentemente proposta para 36 horas semanais (como na escala 4x3), não só melhora a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também impulsiona a produtividade e a economia.
 
Principais pontos do estudo:
 
    • Aproximadamente 21 milhões de brasileiros trabalham mais do que as 44 horas semanais previstas na CLT.
    • O fim da escala 6x1 beneficiaria diretamente cerca de 37% dos trabalhadores formais, que teriam suas jornadas reduzidas
    • Jornadas mais curtas tendem a reduzir afastamentos médicos, acidentes de trabalho e a rotatividade de funcionários, além de aumentar a motivação. Com isto, o impacto sobre a produtividade do trabalho é fortemente positivo.
    • A mudança é vista como uma medida que pode combater desigualdades de gênero, já que a escala 6x1 é comum em ocupações predominantemente femininas, dificultando a conciliação entre trabalho e vida pessoal. Outro impacto mais que provável é a redução de doenças ocupacionais como a síndrome do burnout e o stresse, além de propiciar mais termpo livre para dedicação à qualificação e requalificação profissional.
Os argumentos contrários, que sugerem aumento de custos para empregadores e impacto negativo no PIB, são refutados pelos pesquisadores da Unicamp, que defendem os benefícios macroeconômicos de uma jornada mais humana. O que tende a ocorrer, num primeiro momento, é a redução dos lucros empresariais, mas este efeito é neutralizado e compensado pelo aumento da produtividade e intensidade do trabalho.
 
Para mais detalhes, você pode consultar as publicações no portal do Cesit/Unicamp sobre o tema.