Motoristas de aplicativo no Brasil enfrentam um cenário desafiador em 2025, com rendas líquidas em queda e jornadas de trabalho que vão bem além do limite constitucional de 44 horas semanais e podem ultrapassar 60 horas na semana. Um levantamento da GigU (ex-StopClub) revela que, em São Paulo, a média de ganhos mensais é de R$ 4,1 mil, enquanto em Brasília, os motoristas recebem apenas R$ 2,5 mil.

Na capital paulista, os motoristas trabalham em média 60 horas por semana, resultando em uma renda anual de R$ 50,2 mil, o que representa menos da metade do faturamento total com as corridas, de R$ 104 mil. Boa parte do dinheiro que resulta do seu tempo de trabalho é apropriada pelas multinacionais dos aplicativos, numa versão do que o filósofo alemão Karl Marx designou em O capital de mais-valia. 

Operando sem regulamentação, aatravés de obscuros algorítimos, à margem do Direito do Trabalho e sem maiores custos, essas grandes empresas não têm despesas com combustível, manutenção e muito menos com encargos sociais. Se o motorista, por infelicidade, sofrer um acidente e ficar impossibilitado de trabalhar não terá qualquer auxílio dos aplicativos, que não obstante seguem acumulando bilhões à custa dos trabalhadores e trabalhadoras que exploram. 

Aproximadamente 32% dos motoristas utilizam carros alugados para realizar suas atividades. No Rio de Janeiro, a situação é semelhante, com ganhos líquidos de R$ 3,5 mil mensais e uma jornada de 54 horas semanais.

Comparativo entre capitais

Em Porto Alegre, os motoristas também apresentam uma renda líquida de R$ 3,5 mil por mês, com receita líquida anual de R$ 43 mil, rodando cerca de 50 horas por semana. 26,4% dos motoristas na capital gaúcha trabalham com veículos alugados. Em Belo Horizonte, os ganhos são ainda mais baixos, com uma média de R$ 3,49 mil mensais e R$ 41,9 mil anuais, mantendo uma jornada de trabalho de 54 horas.

Em Brasília, a situação é crítica, com motoristas embolsando apenas R$ 2,5 mil por mês, o que resulta numa renda anual de R$ 30,6 mil. A jornada média é superior ao que estabelece a Constituição, ficando em 50 horas semanais, e cerca de 25% dos motoristas utilizam carros alugados. A análise destaca a necessidade de melhorias nas condições de trabalho e remuneração para essa categoria, que continua a enfrentar desafios significativos no mercado.