A classe trabalhadora tem no governo Lula um fiel aliado na batalha histórica pela redução da jornada de trabalho sem redução do trabalho e o fim da desumana escala 6x1. Isso é muito importante, mas conforme alertou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, quem decide sobre o tema é o Congresso Nacional e se não houver uma grande mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras será muito difícil, senão impossível, aprovar um dos projetos que contemplam esses anseios da classe.

 "Se tiver uma mobilização dirigida, com massa, com vigor, de rua, é possível que o Congresso Nacional venha atender esse clamor da classe trabalhadora", declarou. "Se amenizar a mobilização, na minha avaliação, esse perfil de Congresso não atenderá essa reivindicação", complementou durante entrevista ao programa "Bom dia Brasil", da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) quinta-feira (25).

O exemplo da PEC da Blindagem

Diferentemente do governo federal, o Congresso Nacional é dominado por forças políticas hostis à classe trabalhadora, tendo uma folgada maioria a favor dos interesses dos grandes empresários e das multinacionais, que sempre conspiraram contra os direitos e interesses da classe trabalhadora. Por isto, pesquisas indicam que 70% dos deputados federais são contra redução da jornada de trabalho sem redução da jornada (na contramão do que pensa a população) e até o relator indicado para análise da PEC que propõe o fim da desumana escala 6x1 é empresário.

A mobilização popular, se for suficientemente ampla e convincente, pode alterar as tendências dominantes no Parlamento. Isso ficou evidente após as manifestações contra a anistia para os condenados no julgamento da tentativa de golpe de Estado e a PEC da Blindagem, que foi seputada no Senado em consequência dos atos puxados pelos artistas e realizados em um histórico domingo, o dia 18 de setembro de 2025, que provavelmente marca uma viragem política.

Momento de renovar 

De acordo com o ministro Luiz Marinho, o Brasil está pronto para uma redução na jornada de trabalho. “A escala seis por um é a jornada mais cruel que existe, especialmente para as mulheres. Então, é momento de renovar. Tem países que já passaram por esse processo e já eliminaram a seis por um. O governo brasileiro torce para um final feliz em relação a isso. A jornada máxima do Brasil hoje é de 44 horas semanais. O Brasil está preparado para ir para 40 horas semanais e adequar essa jornada tão cruel. É importante que os movimentos observem corretamente a necessidade da manutenção da mobilização”, continuou.

Durante o programa, Luiz Marinho falou também sobre os cuidados relativos à saúde mental dos trabalhadores, que também tem muito a ver com as longas jornadas de trabalho. “Tem empresas muito diferenciadas, que já andaram quilômetros na frente. Outras estão atrasadas. Nós precisamos trabalhar para que isso seja colocado no mesmo patamar para cuidar da saúde da nossa população. Uma classe trabalhadora com um bom ambiente de trabalho conseguirá, gradativamente, aumentar a produtividade, que é um dilema na competição internacional”, pontuou o ministro.

“Um bom ambiente de trabalho ajuda a resolver muitos problemas. Ajuda a evitar acidentes, a diminuir o absenteísmo. Uma coisa é disciplina, cobrança por produtividade e qualidade. Outra coisa é o desrespeito com o trabalhador. Isso leva a um processo de trauma, que influencia no ambiente de trabalho, na sua produção, levando a acidentes e também na saúde do trabalhador. Isso é muito importante ser colocado”.