Em vários países a implantação da escala 4x3, com quatro dias de trabalbo e três de folga, é celebrada e aprovada por seus impactos positivos para a saúde do trabalhador e a produtividade do trabalho.
No Brasil percebe-se um drástico contraste com tal tendência. Para dezenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras prevalece a escala 6x1, que o ministro do Trabalho do governo Lula, Luiz Marinho, definiu como "a mais cruel que existe, especialmente para as mulheres".
Marinho, que como Lula é um quadro político originário do movimento sindical, afirmou que é "hora de renovar", mas reiterou a necessidade de grande mobilização social para acabar com a escala cruel, em que o trabalhador ou trabalhadora goza apenas de um dia de folga por semana, que para muitas categorias nem sempre coincide com o sábado e o domingo.
No Reino Unido, a semana de quatro dias está redefinindo o cenário de trabalho, oferecendo um novo equilíbrio entre vida pessoal e profissional. O modelo inovador tem sido bem-sucedido em várias empresas, apresentando uma melhoria significativa no bem-estar dos funcionários e na produtividade do trabalho.
Quais são os impactos positivos segundo os estudos?
Os estudos indicam uma melhora considerável no bem-estar dos funcionários, com uma redução de 71% no burnout e menos ausências por problemas de saúde. As empresas também relataram queda nos pedidos de demissão enquanto viam um leve aumento nas receitas.
Adicionalmente, houve um decréscimo de 39% no estresse dos trabalhadores. Também foram registradas melhorias em ansiedade e qualidade de sono, evidenciando ganhos na saúde integral dos .trabalhadores.
Os benefícios não se restringem ao ambiente de trabalho. Com uma vida pessoal mais equilibrada, 96% reconheceram impactos positivos em sua rotina pessoal, sentindo-se mais energizados e eficazes, o que obviamente tem impactos positivos sobre a produtiviade e o engajamento na produção.
Como as empresas estão se adaptando ao novo modelo?
A professora Juliet Schor destaca a continuidade dos benefícios físicos e psicológicos mesmo após o término do estudo. O sucesso da implementação dependeu da forte colaboração interna, essencial para esse novo formato de trabalho.
O modelo visa reduzir a carga horária semanal para aproximadamente 31,6 horas, garantindo um dia adicional de folga sem condensar o esforço de trabalho. A eficiência e resultados são priorizados.
Internacionalmente, o sucesso do modelo britânico atraiu interesse. Iniciativas na Escócia e o apoio de organizações como a 4 Day Week Global sugerem um movimento em direção à adoção mais ampla deste novo regime de trabalho. Em outros lugares da Europa e também em países como Estados Unidos, relatos de testes desse modelo ganham destaque, mostrando que o tema segue em discussão além das fronteiras britânicas.
No contexto brasileiro, o tema da flexibilização do regime de trabalho segue avançando nas discussões legislativas. Recentemente, a deputada Erika Hilton apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa a redução da jornada semanal de trabalho, argumentando que tal medida teria impacto econômico pouco significativo.
A proposta aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, e seu avanço pode impulsionar mudanças profundas na organização do trabalho no país. Sabe-se, porém, que sem uma grande mobilização popular este objetivo não será alcançado, pois no meio do patronato predomina uma forte oposição à redução da jornada.
Com informações da e.m.foco
