Manifestação foi convocada para 30 de junho com o objetivo de pressionar o Senado a acelerar a votação da PEC aprovada na Câmara Federal

Centrais sindicais, entidades estudantis, Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e as organizações reunidas nas Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo convocaram a mobilização nacional para o dia 30 de junho pelo fim da desumana escala 6×1 e redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial. A mobilização busca ampliar a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que está retardando a tramitação da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados.

No manifesto lançado em defesa do fim da escala 6x1, as organizações afirmam que a luta pela redução da jornada chegou a um momento decisivo e que não há justificativa para manter a proposta parada no Senado. Afinal, a PEC foi aprovada pelos deputados em votação qualificada e em dois turnos, após muito debate. O manifesto foi assinado por mais de 3 milhões de pessoas, enquanto o Plebiscito Popular de 2025 sobre o tema contabilizou mais de 2,1 milhões de votos.

As entidades defendem a aprovação do texto que saiu da Câmara sem alterações que retirem direitos. Também rejeitam mudanças que ampliem a flexibilização das relações de trabalho ou transfiram para negociações entre patrões e empregados garantias que, segundo os movimentos, devem estar previstas em lei.

Crítica à “PEC dos Patrões”

O manifesto também critica a chamada “PEC dos Patrões”, apresentada no Senado como alternativa à redução da jornada. De acordo com as entidades, a proposta, já apoiada por mais de 40 senadores, abre caminho para regimes baseados em pagamento por hora efetivamente trabalhada e pode ampliar a precarização.

Para os movimentos, a tentativa de apresentar uma alternativa ao fim da escala 6×1 busca substituir uma conquista trabalhista por mecanismos que aumentam a insegurança, reduzem salários na prática e aprofundam a exploração.

As organizações afirmam ainda que o Senado não pode transformar a pauta em instrumento de negociação política nem usar uma reivindicação histórica da classe trabalhadora como moeda de troca em disputas institucionais.

Ato nacional

A convocação para 30 de junho mira trabalhadoras, trabalhadores, juventude, centrais sindicais, movimentos populares e entidades democráticas. O objetivo é levar a pressão às ruas para cobrar a tramitação imediata da proposta no Senado.

As entidades afirmam que o Brasil precisa avançar na redução da jornada acompanhando o aumento da produtividade, as transformações tecnológicas e a necessidade de melhorar as condições de vida de quem trabalha. Com a jornada menor, o Brasil ficará em linha com os países mais desenvolvidos e com relações sociais de produção mais civilizadas.

Nota das centrais

Laia abaixo a nota das centrais sobre a manifestação convocada para o dia 30:

As centrais sindicais CUT, UGT, CTB, Força Sindical, CSB, NCST, Intersindical, Pública e Fórum Sindical do Trabalho convocam os trabalhadores, os sindicatos e os movimentos sociais para manifestações unitárias no dia 30 de junho de 2026, terça-feira, em todo o País. Todos na luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, e pelo fim da nefasta escala 6×1, com pressão total no Senado Federal.

Para a segunda, 29, as centrais sindicais orientam acessarmos a plataforma napressao.org.br para encontrarmos os senadores que devemos pressionar, convencer e apoiar. Outra recomendação é que cada entidade estadual intensifique o diálogo com os três senadores de cada estado.

Ainda no dia 29, as entidades incentivarão a publicação de matérias, artigos e conteúdos informativos nos jornais e veículos sindicais de todo o País. O objetivo é ampliar o debate público sobre os benefícios econômicos e sociais da redução da jornada, sem redução salarial, e do fim da escala 6×1.

No dia 1º de julho, o Senado Federal realizará uma audiência pública com a participação de aproximadamente 30 representantes de entidades sindicais, especialistas e movimentos sociais. Durante o encontro, os participantes apresentarão argumentos em defesa da redução da jornada e da melhoria das condições de trabalho.

Também no dia 1º de julho, representantes das centrais sindicais participarão de reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A agenda buscará reforçar a importância da tramitação das propostas e ampliar o diálogo institucional em torno das reivindicações dos trabalhadores.