Alcolumbre mantém PEC da escala 6x1 parada no Senado. Proposta aprovada pela Câmara segue sem avanço na CCJ.
Alcolumbre mantém PEC da escala 6x1 parada no Senado. Proposta aprovada pela Câmara segue sem avanço na CCJ. (Foto: divulgação)

Sem reuniões da CCJ e com semana esvaziada por São João e Copa do Mundo, proposta aprovada pela Câmara segue sem tramitação no Senado.

O fim da escala 6x1 continua sem previsão de avanço no Senado Federal. A proposta de emenda à Constituição (PEC 221/2019), aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio, permanece sob análise do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não encaminhou o texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Isso significa que se não houver grande mobilização social, o tema tende a ser adiado e não será surpresa se o destino final for o arquivamento, que por sinal é o objetivo do forte lobby organizado pelo empresariado.

A expectativa é que a matéria complete um mês sem movimentação no próximo sábado (27). O cenário é agravado pela semana esvaziada no Congresso Nacional, marcada pelas festividades de São João, pelo jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e pelo funcionamento semipresencial do Parlamento.

Fim da escala 6x1 aguarda envio à CCJ

Para começar a tramitar no Senado, a proposta precisa ser despachada por Alcolumbre para a CCJ. No entanto, a comissão não terá reuniões nesta semana devido ao baixo quórum esperado.

Segundo a assessoria da CCJ, até o momento não houve sinalização do presidente do Senado para liberar o texto. Já a presidência da Casa não se manifestou sobre o assunto.

Na última semana, o senador Paulo Paim (PT-RS) cobrou celeridade na tramitação da proposta.

Não temos mais por que demorar”, afirmou o parlamentar em discurso no plenário.

O que prevê a proposta

A PEC aprovada pela Câmara estabelece mudanças na jornada de trabalho dos brasileiros. Entre os principais pontos estão:

  • Extinção da escala 6x1;
  • Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas;
  • Ampliação do período de descanso dos trabalhadores.

O texto recebeu amplo apoio dos deputados federais. Apenas 22 dos 513 parlamentares votaram contra a proposta.

Oposição apresentou PEC dos patrões

Enquanto o projeto principal segue parado, uma proposta alternativa apresentada pela oposição avançou mais rapidamente. O texto, que tem o apoio do empresariado e já foi batizado de PEC dos patrões pelos sindicalistas, foi encaminhado à CCJ no dia seguinte à sua apresentação.

A versão alternativa mantém a escala 6x1 e prevê a possibilidade de contratos por hora trabalhada, o que significar que o trabalhador pode ganhar menos do que o salário mínimo. Além disso, estabelece negociações individuais entre patrão e empregado, em vez de coletivas, o que enfraquece a classe trabalhadora.

O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), informou que pretende priorizar a análise da proposta que extingue a jornada atual, por ter iniciado sua tramitação antes da alternativa apresentada pela oposição.

Semana reduz ritmo dos trabalhos

A expectativa de avanço da proposta também é impactada por fatores que diminuíram a atividade parlamentar nesta semana:

  • Feriado de São João em diversos estados do Nordeste;
  • Jogo do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo;
  • Sessões semipresenciais no Senado;
  • Ausência de reuniões da CCJ.

Com isso, o fim da escala 6x1 deve permanecer na mesa da presidência do Senado pelos próximos dias, sem previsão de quando será analisado pelos senadores.

A avaliação de Alcolumbre é que o texto pode ser aperfeiçoado durante sua passagem pelas comissões da Casa.

O que prevê a PEC da escala 6x1

A proposta aprovada pela Câmara estabelece:

  • Fim da escala de trabalho 6x1;
  • Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas;
  • Manutenção dos salários dos trabalhadores;
  • Reorganização das jornadas por meio de regulamentação posterior.

A expectativa é que a discussão sobre a PEC da escala 6x1 volte à pauta do Senado após o período de festas juninas e a retomada das atividades presenciais no Congresso Nacional.

Com informações da Agência Brasil