A empresária e CEO da cafeteria paulistana Coffee Lab, Isabela Raposeiras, viralizou nas redes ao provar que o fim da escala 6x1 não quebra empresas, ao contrário do que alardeiam setores conservadores do empresariado. Após adotar a jornada de 4x3 (quatro dias de trabalho e três de folga), o negócio administrado pela empresa registrou um aumento de 35% no faturamento e reduziu quase a zero a rotatividade de funcionários.

O impacto do modelo de jornada reduzida implementado na Coffee Lab e defendido pela CEO envolve uma série de fatores positivos: 

Produtividade em alta: A empresária afirma que funcionários descansados cometem menos erros e atendem melhor, o que compensa as horas a menos trabalhadas.

Queda nos custos: Com uma equipe motivada, a empresa gasta menos com rescisões e novas contratações (turnover) e sofre menos com faltas e atestados (absenteísmo).

Reorganização de processos: Em vez de manter a operação ineficiente, a estratégia envolve otimizar o cardápio e a produção, simplificando o trabalho na hora do atendimento.

Depoimentos: trabalhadores da Coffee Lab relatam que a escala antiga não permitia sequer recuperar a energia ou ter vida social.

Em São Paulo, a Coffee Lab foi fundada em 2004 e, desde o começo, funcionava com a escala 5x2. A empresa foi uma das 19 que participaram do desafio Four Day Week Global, que significa semana de quatro dias em português. Desde então, mudou para a escala 4x3, quatro dias de trabalho e três de descanso.

“A escala 4x3 está sendo melhor que a 5x2 em muitos aspectos, operacionais, financeiros, de clima organizacional. Inclusive, os funcionários nessa escala são mais concentrados, eles erram menos. Então, a empresa erra menos. O turnover também, né, gente? Nossa, é 8%. O turnover de 8% é muito pequeno”, destaca a torrefadora e proprietária, Isabela Raposeiras.

O barista e instrutor Claudevan Leão afirma que ter três dias de folga na semana permite que ele descanse mentalmente e fisicamente. “Ter a escala 4x3 fez com que a gente lembrasse que eu tenho uma vida fora do trabalho”, diz o funcionário.

Faturamento

Em audiência na Câmara dos Deputados, a empresária disse que a redução da jornada aumenta o faturamento das empresas. Durante a audiência, ela rejeitou a ideia de que o custo da mão de obra vai subir de forma descontrolada ou causar pressão na inflação.

Constatou igualmente que o aumento de produtividade compensa possíveis custos extras. "Se o custo de mão de obra aumentar, isso será inexpressivo perto da elevação da produtividade", disse Raposeiras, que usa a jornada de quatro dias trabalhados e três de descanso há mais de 20 anos"

Ela afirmou que o custo atual da rotatividade supera o previsto com o fim da 6x1. Ao relatar que o fluxo médio de entrada e saída de profissionais no Brasil é de 56%, ela considerou que o dano com a mudança de jornada será insignificante. "O custo de um funcionário sendo demitido ou pedindo demissão pode chegar a quase o dobro do seu custo para as empresas", explicou, ao destacar que as empresas têm de 8% a 12% da folha de pagamento comprometida com a rotatividade.

Adoecimento dos trabalhadores também motiva elevação dos custos. Raposeiras e os demais presentes na sessão do colegiado ressaltaram que faltas, atestados, ausências e acidentes de trabalho ocasionados pela jornada de seis dias por semana estão associados à baixa produtividade. Como consequência, a CEO avalia que escalas menores tendem a beneficiar o faturamento das empresas.