A oposição à redução da jornada de trabalho sem redução de salários, com o fim da desumana escala 6x1, é um ponto de destaque na Agenda Legislativa 2026 lda Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para a entidade empresarial, as propostas que contemplam o anseio de dezenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras “representam um risco significativo à competitividade do país, à sustentabilidade dos negócios e à criação de empregos formais”.

Na opinião da confederação, a Constituição Federal autoriza a redução da jornada por negociação coletiva — e esse caminho “é o melhor para preservar necessidades dos trabalhadores e das empresas, visto que são os agentes sociais que detêm legitimidade e conhecimento da realidade e necessidades do setor”.

Quem terá razão?

A posição não causa surpresa, embora seja diametralmente oposta à dos movimentos sindicais e sociais, ligados aos interesses da classe trabalhadora, e às ideias de inúmeros economistas, historiadores e especialistas no tema.

A verdade é que o tempo de trabalho sempre foi o objeto de uma encarniçada luta de classes entre capital e trabalho ou empresários e trabalhadores. Desta vez não é diferente.

As ideias divergentes, apesar das aparências e argumentos supostamente científicos nada mais são do que expressões ideológicas dos interesses econômicos de classes anagônicas.

Nesta peleja secular pela apropriação de um tempo, que é simultaneamente tempo de trabalho e de vida do trabalhador, a história tem dado razão aos defensores da classe operária contra os donos da indústriam, pois, quando e onde ocorreu, a redução da jornada nunca justificou as previsões pessimistas do patronato, pois seus resultados reais e concretos foram o aumento da renda, elevação da produtividade do trabalho, da competitividade nacional e do nível de emprego.

Foto: Divulgação/CNI